{"id":3797,"date":"2016-08-18T11:08:19","date_gmt":"2016-08-18T14:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/abrampa.org.br\/promotoria-ouve-comunidades-quilombolas-sobre-uso-de-agrotoxicos\/"},"modified":"2016-08-18T11:08:19","modified_gmt":"2016-08-18T14:08:19","slug":"promotoria-ouve-comunidades-quilombolas-sobre-uso-de-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrampa.org.br\/en\/promotoria-ouve-comunidades-quilombolas-sobre-uso-de-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Promotoria ouve comunidades quilombolas sobre uso de agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div><p>\n\t<img decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"fancyzoom\" src=\"https:\/\/abrampa.org.br\/abrampa\/site\/uploads\/images\/conteudo\/361_1.jpg\" style=\"cursor: pointer; width: 320px; height: 212px; margin: 15px; float: left;\" title=\"\" \/>A comitiva formada pelos promotores de justi\u00e7a Juliana Dias Ferreira de Pinho Palmeira, Luiz Gustavo da Luz Quadros, Afonso Jofrei Macedo Ferro e Fabia de Melo-Fournier estiveram no Territ\u00f3rio Quilombola de Gurup\u00e1, localizado na zona rural de Cachoeira do Arari. A visita da comitiva foi para ouvir os relatos das comunidades sobre a exposi\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e conflitos agr\u00e1rios existentes na regi\u00e3o. A regi\u00e3o do Arari \u00e9 uma importante produtora de a\u00e7a\u00ed, mas, boa parte das \u00e1reas quilombolas e coletivas ainda n\u00e3o foram totalmente regularizadas, o que vem causando intensos conflitos entre popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e supostos donos de latif\u00fandios na ilha. \u201cEles arrendam os nossos a\u00e7aizais e colocam pistoleiros para expulsar as comunidades\u201d, este conflito ocorre sempre no inicio da colheita de a\u00e7a\u00ed entre agosto e setembro, informou uma das lideran\u00e7as comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>\n\tComo agravante a situa\u00e7\u00e3o de conflito pelo a\u00e7a\u00ed, vem ocorrendo a implanta\u00e7\u00e3o do polo de produ\u00e7\u00e3o de arroz em larga escala com a utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e defensivos qu\u00edmicos exp\u00f5em as \u00e1reas de florestas de v\u00e1rzea e campos marajoara e colocam em risco as popula\u00e7\u00f5es quilombolas. \u201cVisivelmente estamos vendo os problemas, cientificamente n\u00e3o temos como provar\u201d relatou Osvaldo Batista dos Santos \u2013 presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Remanescente de Quilombo dos Rios Gurup\u00e1 e Arari (Arquig), que fez um relato informando de casos de coceira, a redu\u00e7\u00e3o do estoque pesqueiro de camar\u00e3o nos \u00faltimos quatro anos, e o escurecimento do a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n<p>\n\tDisse que n\u00e3o pode fazer uma correla\u00e7\u00e3o com a presen\u00e7a do agrot\u00f3xico no arroz, mas mostra que h\u00e1 mudan\u00e7as no ambiente. O rio Gurup\u00e1 que alimenta parte do territ\u00f3rio quilombola \u00e9 afluente do rio Arari e sofre influencia da mar\u00e9, uma m\u00e9dia de 20 km separa a regi\u00e3o de expans\u00e3o da rizicultura do territ\u00f3rio quilombola, mas \u00e1 regi\u00e3o se comunica atrav\u00e9s de campos encharcados, como \u00e9 a hidrodin\u00e2mica da ilha do Maraj\u00f3. A representante do F\u00f3rum Paraense de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos, promotora de Justi\u00e7a Fabia de Melo-Fournier lembrou dos eventos clim\u00e1ticos no qual a regi\u00e3o amaz\u00f4nica sofre as consequ\u00eancias, e \u00e9 necess\u00e1rio analisar e criar sistemas de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\n\tVivendo de agricultura de subsist\u00eancia, pesca de camar\u00e3o e peixe e a\u00e7a\u00ed, a comunidade alertou que n\u00e3o possui assist\u00eancia t\u00e9cnica em um territ\u00f3rio de 10.026,1608 hectares, onde sobrevivem aproximadamente 149 fam\u00edlias. \u00c9 necess\u00e1rio construir um arranjo produtivo com assist\u00eancia t\u00e9cnica e apoio a comercializa\u00e7\u00e3o, alertou o Luiz Gustavo da Luz Quadros, promotor de Justi\u00e7a Agr\u00e1ria. O promotor de Justi\u00e7a Afonso Jofrei Macedo Ferro lembrou que na outra margem do rio Arari existem comunidades extrativistas e ribeirinhas que est\u00e3o enfrentando os mesmos problemas em rela\u00e7\u00e3o ao a\u00e7a\u00ed, s\u00e3o comunidades que tamb\u00e9m usam os mesmos a\u00e7aizais no territ\u00f3rio quilombola.<\/p>\n<p>\n\tComo forma de mediar o conflito a Promotoria de Justi\u00e7a de Santa Cruz do Arari e a Promotoria Agr\u00e1ria ir\u00e3o realizar um evento no fim de agosto com os representantes de associa\u00e7\u00f5es de moradores buscando a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas quantos a colheita de a\u00e7a\u00ed em territ\u00f3rios especialmente protegidos. Outra delibera\u00e7\u00e3o foi dada pela representante do F\u00f3rum Paraense de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos, onde apresentou a proposta de realiza\u00e7\u00e3o de uma audi\u00eancia p\u00fablica do F\u00f3rum em Bel\u00e9m sobre a exposi\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es humanas no Maraj\u00f3 ao agrot\u00f3xico, em especial comunidades tradicionais e quilombolas. Durante a reuni\u00e3o v\u00e1rias lideran\u00e7as comunit\u00e1rias agradeceram a presen\u00e7a dos promotores de justi\u00e7a e mostraram a felicidade de serem assistidos neste momento t\u00e3o delicado que vivem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comitiva formada pelos promotores de justi\u00e7a Juliana Dias Ferreira de Pinho Palmeira, Luiz Gustavo da Luz Quadros, Afonso Jofrei Macedo Ferro e Fabia de Melo-Fournier estiveram no Territ\u00f3rio Quilombola de Gurup\u00e1, localizado na zona rural de Cachoeira do Arari. 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