{"id":4468,"date":"2022-03-10T00:00:00","date_gmt":"2022-03-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrampa.org.br\/abrampa-pede-que-pgr-examine-a-inconstitucionalidade-da-lei-no-14-285-21-que-reduz-a-protecao-ambiental-no-entorno-de-cursos-dagua-em-areas-urbanas\/"},"modified":"2022-03-10T00:00:00","modified_gmt":"2022-03-10T03:00:00","slug":"abrampa-pede-que-pgr-examine-a-inconstitucionalidade-da-lei-no-14-285-21-que-reduz-a-protecao-ambiental-no-entorno-de-cursos-dagua-em-areas-urbanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrampa.org.br\/en\/abrampa-pede-que-pgr-examine-a-inconstitucionalidade-da-lei-no-14-285-21-que-reduz-a-protecao-ambiental-no-entorno-de-cursos-dagua-em-areas-urbanas\/","title":{"rendered":"ABRAMPA pede que PGR examine a inconstitucionalidade da Lei n\u00ba 14.285\/21, que reduz a prote\u00e7\u00e3o ambiental no entorno de cursos d?\u00e1gua em \u00e1reas urbanas"},"content":{"rendered":"<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div><p>Em 09.03.2021 a ABRAMPA protocolou pedido para que a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica examine a inconstitucionalidade da Lei n\u00ba 14.285\/2021 e adote as medidas judiciais cab\u00edveis a fim de evitar danos e trag\u00e9dias ambientais.<\/p>\n<p>Aprovada no apagar das luzes de 2021, a Lei n\u00ba 14.285\/2021 alterou as normas sobre as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APP) no entorno de cursos d&#39;\u00e1gua em \u00e1reas urbanas. A norma tem o potencial de fragilizar ainda mais a prote\u00e7\u00e3o ambiental dessa \u00e1reas, cuja preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental por seus servi\u00e7os ecossist\u00eamicos: a mata ciliar ali presente \u00e9 fundamental para preservar os recursos h\u00eddricos, a estabilidade do solo e a biodiversidade, al\u00e9m de assegurar o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o do entorno, controlando ventos e temperaturas. A medida tamb\u00e9m aumenta a vulnerabilidade das cidades aos riscos decorrentes das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que incluem precipita\u00e7\u00e3o pesada e risco aumentado de enchentes e deslizamentos de terra.<\/p>\n<p>Nos termos da representa\u00e7\u00e3o, a norma afronta diretamente diversos dispositivos constitucionais, em especial:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Sistema de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias (art. 24, VI e \u00a71\u00ba c.c. art. 30, I da Constitui\u00e7\u00e3o Federal):<\/strong> a norma pretende conferir aos Munic\u00edpios compet\u00eancia plena para definir faixas de APP inferiores \u00e0s estabelecidas pela Lei Nacional de Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa. Nesse sentido, a lei criaria uma situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, na qual uma norma geral editada pela Uni\u00e3o para estabelecer par\u00e2metros m\u00ednimos de prote\u00e7\u00e3o ambiental poderia ser simplesmente afastada pelos Munic\u00edpios, o que deturpa completamente o sistema federalista estabelecido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/li>\n<li><strong>Direito ao meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado (art. 225 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal):<\/strong> a norma pode ser interpretada como uma autoriza\u00e7\u00e3o para que os Munic\u00edpios reduzam ou suprimam as faixas legalmente protegidas no entorno de cursos d&#39;\u00e1gua. Essa indu\u00e7\u00e3o viola diretamente o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, seja pelo retrocesso ambiental que representa, pela prote\u00e7\u00e3o insuficiente que promove ou pelo comprometimento dos espa\u00e7os territorialmente protegidos. Na verdade, a Constitui\u00e7\u00e3o apenas autorizaria que a nova lei fosse interpretada no sentido de que os Munic\u00edpios podem ampliar as \u00e1reas de APP em seus territ\u00f3rios. A edi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.285\/2021 tamb\u00e9m desrespeitou a dimens\u00e3o procedimental do direito ao meio ambiente, ao promover novas e desconexas altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o ambiental sem participa\u00e7\u00e3o da sociedade sem que os interesses sociais envolvidos fossem devidamente considerados.<\/li>\n<li><strong>Seguran\u00e7a jur\u00eddica (art. 5\u00ba, caput e inc. XXXVI da Constitui\u00e7\u00e3o Federal)<\/strong>: a aplica\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.285\/2021 pode conduzir Munic\u00edpios a agir como se n\u00e3o houvesse um patamar m\u00ednimo de prote\u00e7\u00e3o ambiental nessas \u00e1reas, criando um tratamento diferenciado das vegeta\u00e7\u00f5es ciliares nos diferentes Munic\u00edpios. Isso tamb\u00e9m pode levar a conflitos federativos decorrentes, por exemplo, dos preju\u00edzos sofridos por uma municipalidade em raz\u00e3o da supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o ocorrida em outro Munic\u00edpio atravessado pelo mesmo rio. A prolifera\u00e7\u00e3o de normas ambientais inconstitucionais, que reduzem os par\u00e2metros de prote\u00e7\u00e3o ambiental, tamb\u00e9m deve conduzir \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de incont\u00e1veis procedimentos e ao ajuizamento de a\u00e7\u00f5es pelos Minist\u00e9rios P\u00fablicos competentes. O risco de judicializa\u00e7\u00e3o indesej\u00e1vel, com impactos negativos para a seguran\u00e7a jur\u00eddica, \u00e9 evidente.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por estes motivos, a ABRAMPA entende que a declara\u00e7\u00e3o da inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei ora tratada \u00e9 medida de extrema urg\u00eancia, raz\u00e3o pela qual cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e ao Poder Judici\u00e1rio o dever de an\u00e1lise, a fim de expurgar do sistema jur\u00eddico os atos normativos contr\u00e1rios aos preceitos constitucionais.<\/p>\n<p>Acesse aqui a representa\u00e7\u00e3o na \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 09.03.2021 a ABRAMPA protocolou pedido para que a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica examine a inconstitucionalidade da Lei n\u00ba 14.285\/2021 e adote as medidas judiciais cab\u00edveis a fim de evitar danos e trag\u00e9dias ambientais. 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