Publicado em 31/08/2017

Câmara dos Deputados recebe manifesto contra PL da Caça assinado por 129 instituições

Um manifesto redigido pela Hachi ONG, que atua na área da proteção animal em Santa Catarina, contra o projeto de lei 6.268/16, que legaliza as caças esportiva e comercial no Brasil, foi protocolado na Câmara dos Deputados em 21 de agosto. O documento conta com o apoio de outras 128 instituições, incluindo o Ministério Público do Estado de São Paulo.

Fauna News e seus parceiros – as ONGs Profauna – Proteção à Fauna e Monitoramento Ambiental e Freeland Brasil e os coletivos Aliança Pró Biodiversidade (APB) e GAPTrafi – Grupo de Ação Política de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – também assinaram o documento.

O manifesto foi uma iniciativa da presidente da Hachi, Sueli Amaral. Ela se envolveu com o debate sobre o PL, de autoria do deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), ao saber que organizações atuantes na área da conservação da fauna silvestre e da proteção animal sediadas em São Paulo e o Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo Urbano (GECAP) do MP paulista estavam se mobilizando para combater o projeto.

A iniciativa da Hachi acabou ganhando apoio do grupo paulista e foi amplamente divulgada. Em poucas semanas, mais de uma centena de instituições do Brasil todo também assinaram o manifesto, que foi enviado ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara, deputado federal Nilton Tatto (PT-SP) – que também é o relator do PL na comissão. O documento também foi encaminhado ao Senado Federal.

Essa não é a primeira manifestação pública contrária ao PL de Valdir Colatto. Em 24 de janeiro, uuma nota de repúdio assinada por 193 instituições da sociedade civil, técnicos e pesquisadores foi entregue ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e ao presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ricardo Soavinski.

Em resposta à nota, no dia 14 de fevereiro, um ofício assinado pelo chefe de Gabinete do ICMBio, Wajdi Rashad Mishmish, informa 'que o ICMBio confeccionou Nota Técnica manifestando-se de forma “Contrária” à tramitação do referido Projeto de Lei, na medida que não mediremos esforços para apresentar esses posicionamentos na Câmara Federal e defender nosso posicionamento institucional a respeito do assunto em tela.' O ICMBio é o órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pela gestão de unidades de conservação (parques nacionais, por exemplo) e pela realização de pesquisas sobre conservação da fauna silvestre.

Em 21 de fevereiro, foi a vez da Secretaria de Biodiversidade e Florestas se posicionar sobre a nota de repúdio. O órgão afirmou que em 5 de dezembro de 2016 emitiu uma nota técnica com parecer contrário ao projeto de Colatto. E mais: recomendou pelo arquivamento do PL, considerou que seu objetivo final é viabilizar a prática da caça no Brasil e que o capítulo que trata da proteção à fauna “já é contemplado em um conjunto de atos normativos legais”.

Mais manifestações
Três abaixo-assinados circulam pela internet também são contra o projeto. Um na plataforma Change.org (com 50.314 assinaturas), e dois no Avaaz: um com 9.984 assinaturas e outro com 5.405.

A mesma posição contrária ao PL 6.268/16 foi anunciada pelo Conselho Federal de Biologia (CFBio), autarquia federal de fiscalização do exercício profissional. O órgão enviou ofícios em fevereiro e maio a Rodrigo Maia e Nilto Tatto.

Atualmente, o projeto está para ser analisado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados. Ele ainda passará pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada em plenário (se aprovada, ainda segue para apreciação do Senado).

– Conheça o projeto de lei 6.268/16
– Leia o manifesto da Hachi ONG (no Facebook)
– Releia o post “Projeto de lei que autoriza a caça no Brasil pode facilitar o tráfico de fauna”, publicado pelo Fauna News em 14 de fevereiro de 2017

Fonte: Fauna News

Assessoria de Comunicação Social
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