Publicado em 21/11/2018

Solução para resíduos sólidos passa por regulação e cobrança adequada

Serviços de coleta, destinação e tratamento dos resíduos sólidos são fundamentais para melhoria ambiental e da saúde humana

A coleta e destinação do lixo, com tratamento adequado desse resíduo, ainda é um grave problema nos municípios brasileiros: cerca de 40% dos resíduos ainda vão para lixões a céu aberto. A solução passa pela regulação do setor, com a cobrança efetiva de quem gera os resíduos, além da adoção de tecnologias de aproveitamento energético já disponíveis no Brasil – aponta o presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Ricardo Soavinski.

“Muitos municípios não cobram a tarifa de lixo e, quando cobram, cobram mal, apenas para a coleta. Sem recursos, não é possível dar destinação e tratamento adequados para os resíduos sólidos Os grandes geradores devem pagar por isso e pode-se estipular tarifas diferenciadas para a população de acordo com o segmento social. Haveria um reflexo direto na melhoria da saúde da população e do meio ambiente”, disse Soavinski, na abertura do workshop “Aspectos técnicos, ambientais e econômicos do tratamento de resíduos sólidos urbanos”, que foi realizado na última terça-feira (20), no auditório do Centro de Tecnologias da Sanepar (Rua Engenheiro Antonio Batista Ribas, 151, Tarumã).

A Sanepar opera hoje três aterros sanitários, em Cianorte, Apucarana e Cornélio Procópio, atendendo a uma população de 290 mil habitantes, de 7 municípios. Em 2017, esses aterros trataram 62 mil toneladas de resíduos. Os aterros têm certificação ambiental, mas ainda são deficitários por falta de regulação para o setor.

O gerente de Resíduos Sólidos da Sanepar, Charles Carneiro, que coordenou o evento, afirma que no Brasil o número de lixões cresceu de 2016 para 2017, embora a legislação brasileira proíba o surgimento de novos lixões. Os que já estão em operação devem ser transformados em aterros sanitários até 2021.

“Não usamos mais a palavra lixão, e sim resíduos, dada à qualidade do que jogamos fora”, disse o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Luiz Gonzaga. Segundo ele, a falta de sustentabilidade econômica do setor leva à falta de cuidado com os resíduos sólidos. “Já estamos acostumados a pagar pelo tratamento de água e por outros serviços públicos e precisamos pagar pela coleta, pela destinação final e pelo sistema de efluentes dos aterros. Ninguém gosta de pagar taxas, mas é preciso.”

O presidente da Associação Brasileira Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), João Gianesi, destacou que o Paraná está à frente de muitos estados com relação a aterros sanitários. No Estado, 75% dos resíduos são enviados a aterros.

“O tempo não é aliado na questão ambiental. A demora na busca de soluções leva a mais agressões ao meio ambiente e ao aumento da poluição”, disse o promotor de Jutiça Luís Fernando Barreto, presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa). Ele ressalta que os resíduos sólidos são problemas de todos os municípios. “Nem todos os municípios estão em área de Mata Atlântica, nem todos estão na costa litorânea, mas com certeza todos os municípios precisam de água tratada e todos geram resíduos sólidos e esgoto”, explica. E a solução passa por aspectos técnicos e ambientais. “Sem boa tecnologia, sem investimentos em equipamentos, conhecimento e pessoas, não há solução”, afirma.

PROGRAMAÇÃO – Também foram temas do worshop, pela manhã, Controles operacionais do aterro sanitário de Cianorte sob a luz da ISO 14001, com o administrador Fabiano Ochmat, da Sanepar; Principais diretrizes de projeto e aspectos construtivos em aterros sanitários, com o engenheiro Clovis Benvenuto, da Associação Brasileira Resíduos Sólidos (ABLP)/Geotech; e Tratamento de chorume por sistemas membranares, com o engenheiro Walter Plácido, da AST Serviços, Soluções e Tecnologias em Meio Ambiente.

No período da tarde, os temas foram Tratamento mecânico biológico de RSU, com o engenheiro Pedro Sousa, da Brevil; Gaseificação de Resíduos Sólidos Urbanos, com Evandro José Lopes; e CS Bioenergia – Geração de energia a partir de resíduos e os potenciais da tecnologia.

Fonte: Sanepar

Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa)
Fone: (31) 3292-4365
[email protected] 
Facebook: /abrampa.mp
Instagram: abrampa.oficial

Other News

04/11/2026

XXV Congresso da ABRAMPA: inscrições abertas para iniciativas inovadoras na atuação do Ministério Público em temas ambientais

Associados podem indicar experiências, projetos, operações e teses inovadoras na atuação do Ministério Público Ambiental. Três iniciativas serão selecionadas para apresentação no congresso, em Maceió (AL), em abril de 2027 A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA) abriu inscrições para a seleção de experiências que irão compor o Painel Casos […]

04/11/2026

Justiça anula, 148 anos depois, demissão de promotor que enfrentou poder político para defender criança escravizada

Sentença reconhece trajetória de Celso Magalhães como patrimônio cultural imaterial do Maranhão e determina sua reintegração simbólica aos quadros do Ministério Público Uma demissão motivada por retaliação política, ocorrida há quase um século e meio, acaba de ser reconhecida como ilegal pela Justiça. Em sentença proferida em 29 de outubro de 2026, a Vara de […]

03/11/2026

ABRAMPA abre inscrições para o 4º Prêmio José Maria de Jurisprudência Ambiental

Iniciativa reconhece ações ministeriais e decisões judiciais de destaque na proteção do meio ambiente. Indicações podem ser feitas até 30 de dezembro de 2026 A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA) está com inscrições abertas para a quarta edição do Prêmio José Maria de Jurisprudência Ambiental, que reconhece ações ministeriais […]

Social Media
Developed by:
Agência Métrica