Publicado em 20/03/2026

Operação Caatinga Resiste autua mais de 10 mil hectares de desmatamento ilegal em nove estados

A operação fiscalizou 324 alertas de desmatamento identificados por monitoramento remoto via satélite. As ações resultaram, até o momento, no embargo de 6.673 hectares e na aplicação de quase R$ 27 milhões em multas, atingindo aproximadamente 295 imóveis rurais. De iniciativa da ABRAMPA, por meio do projeto Caatinga Resiste, e com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe (MPSE) – responsável pela articulação entre os Ministérios Públicos estaduais. 

Os estados com maior área fiscalizada foram Pernambuco (2.752,12 ha), Ceará (2.062,54 ha) e Piauí (1.583,32 ha), concentrando os maiores volumes de desmatamento identificados pela operação. As irregularidades envolvem principalmente a supressão de vegetação nativa sem autorização válida, além de inconsistências em registros ambientais – como cadastros rurais.

O balanço final da operação tende a apresentar números mais elevados, uma vez que parte dos dados ainda não foram consolidados ou incorporados.

Durante a operação, também foram identificadas outras infrações ambientais em vários estados, como a apreensão de animais silvestres, a extração ilegal de areia e minério, o uso irregular do fogo para supressão de vegetação e a exploração ilegal de madeira.

Os resultados da operação ganham relevância em um cenário recente de oscilação do desmatamento no bioma – o terceiro mais desmatado do país e estratégico como sumidouro de carbono. Após uma alta expressiva em 2024 – com perda de mais de 174 mil hectares de vegetação nativa –, a Caatinga registrou redução de 9% no desmatamento em 2025 (Deter/INPE). Ainda assim, os números revelados pela operação indicam que a pressão sobre o bioma permanece elevada, exigindo ações contínuas e coordenadas de fiscalização e controle.

Para a coordenadora do projeto Caatinga Resiste, Aldeleine Barbosa, promotora de Justiça do MPSE, o balanço reforça a importância da atuação integrada. “Mesmo com a redução registrada no último ano, o volume de desmatamento ilegal ainda é preocupante. A Operação Caatinga Resiste mostra que a articulação entre os Ministérios Públicos, aliada ao uso de tecnologia e inteligência, é fundamental para impedir novos retrocessos e garantir a proteção do bioma”, destaca.

Em Sergipe, a operação contou com a cooperação da Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA) e da Polícia Militar. Ao todo, mais de 40 alvos foram fiscalizados, com a constatação de desmatamento em aproximadamente 700 hectares.

“Pela primeira vez realizamos esse tipo de fiscalização de forma remota em alguns alvos, o que dá celeridade e amplia a capacidade de atuação das equipes em campo. Isso mostra o avanço da tecnologia, que vem para nos ajudar. Nosso objetivo é proteger o que ainda resta da Caatinga, esse bioma tão importante não só para o Nordeste do Brasil”, afirmou Aloísio França, gerente de fiscalização do órgão.

A Polícia Militar de Sergipe atuou com efetivo diário de oito agentes, organizados em duas equipes, realizando ações simultâneas em diferentes áreas. Durante as fiscalizações, também foi flagrada a extração ilegal de minério no município de Lagarto. “A proteção do bioma Caatinga precisa ser prioridade, e ações integradas como essa são fundamentais, pois enriquecem nossa atuação, que é permanente”, destacou Emilly Santos, 2° Tenente da companhia independente ambiental da Polícia Militar de Sergipe.

Inspirada na experiência da Operação Mata Atlântica em Pé, a força-tarefa utiliza os dados dos alertas de desmatamento disponibilizados pelo MapBiomas, como também o cruzamento de bases de dados oficiais, como o CAR, o Sinaflor e as ASVs, além de fiscalizações presenciais e remotas. Nos casos em que foram constatadas irregularidades, o Ministério Público adotará medidas extrajudiciais e judiciais para interromper os danos, promover a reparação ambiental e responsabilizar os infratores, inclusive pelos danos climáticos decorrentes do desmatamento.

Sergipe

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