Publicado em 30/03/2022

Primeiro dia da pauta verde do stf – Sustentações orais

As sustentações orais do primeiro bloco da “pauta verde” no STF, que julga a ADPF 760 e a ADO 54, foram marcadas pela preocupação com as mudanças climáticas. O desmatamento é a principal causa de emissões de gases de efeito estufa do país.

Os advogados dos Autores (partidos PV, PT, REDE, PSol, PSB, PDT, PT e PCdoB) destacaram que os recordes nos índices de queimadas e desmatamento evidenciam a falta de atuação eficaz do governo federal para a preservação do meio ambiente e, especialmente, da Amazônia. A omissão governamental é considerada inconstitucional por violar os direitos ao meio ambiente, à vida, à saúde, à dignidade e dos povos indígenas.

Em sua manifestação, a Advocacia Geral da União reconheceu a relevância do tema, mas afirmou que o Supremo não poderia se imiscuir nas funções do Poder Executivo, que estaria empenhado na implementação das suas políticas ambientais. 

Para os amici curiae, no entanto, que se manifestaram em seguida, a manutenção de uma aparência de funcionamento do PPCDAm e das instituições de proteção ambiental não é suficiente para dar cumprimento ao comando do artigo 225 da Constituição Federal, uma vez que a atuação governamental é insuficiente para assegurar o direito ao meio ambiente equilibrado.

Os riscos climáticos decorrentes da escalada do desmatamento, assim como a iminência de a Amazônia atingir um ponto de não-retorno em direção à savanização, foram sublinhados. Também foi apontada a dimensão transgeracional das matérias em discussão e os seus impactos aos Direitos Humanos, destacando-se que os grupos mais vulneráveis – povos indígenas, negros, pessoas em vulnerabilidade social, mulheres, crianças – são mais atingidos pelos efeitos da destruição ambiental, o que suscita debates sobre justiça climática. 

O conjunto de medidas discutidas tem potencial para reduzir o desmatamento, as queimadas e criar áreas protegidas. Segundo o Instituto Talanoa, as emissões de GEE do Brasil poderiam ser reduzidas de 2.524 milhões tCO2e a 5.033 tCO2e entre 2021 e 2030.

A sessão de julgamento foi suspensa e será retomada no dia 31.03.

Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa)
Fone: (31) 3292-4365
[email protected] 
Facebook: /abrampa.mp
Instagram: abrampa.oficial

Outras notícias

17/08/2026

ABRAMPA participa da 4ª edição do Judiciário Sustentável, promovida pelo CNJ

A vice-presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), promotora de Justiça Tarcila Santos Britto Gomes, representou a entidade na 4ª edição do Judiciário Sustentável, realizada no dia 14/08 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília. O encontro reuniu magistrados, membros do Ministério Público, especialistas e representantes de instituições […]

14/08/2026

Seminário marca os 20 anos da Lei da Mata Atlântica e debate desafios da proteção do bioma

Evento em Belo Horizonte reunirá representantes do Ministério Público, da academia, de órgãos ambientais e da sociedade civil Após duas décadas da promulgação da Lei da Mata Atlântica (Lei Federal nº 11.428/2006), um dos principais marcos da legislação ambiental brasileira, especialistas, integrantes do Ministério Público, representantes de órgãos ambientais e organizações da sociedade civil estarão […]

14/08/2026

Publicação sobre rastreabilidade das cadeias do gado, madeira e ouro propõe medidas para combater desmatamento, grilagem de terras e crimes ambientais

Publicação reúne diagnóstico inédito sobre as cadeias do gado, da madeira e do ouro, apresenta casos concretos de fraudes e propõe medidas para fortalecer a transparência e a governança socioambiental A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), por meio do projeto ABRAMPA pelo Clima, com apoio do Instituto de Pesquisa […]

Mídias Sociais
Desenvolvido por:
Agência Métrica