Publicado em 15/04/2026
Paulo Nobre: “Não estamos vivendo uma crise climática, mas uma falência climática”

A sentença é do professor climatologista Paulo Nobre, que marcou a abertura do 24º Congresso Brasileiro do Ministério Público de Meio Ambiente, no dia 08/04, em Pirenópolis (GO). O cientista proferiu a palestra magna, abrindo o evento que reuniu membros do Ministério Público, especialistas e pesquisadores para discutir os desafios da proteção ambiental no Brasil.
Ao longo da apresentação, Nobre trouxe dados para mostrar a dimensão do problema e reforçou que o cenário crítico já está em curso. “Isso que eu vou lhes mostrar agora acontece a cada hora; 4 milhões de toneladas de CO₂ são emitidos; 1.500 hectares de floresta são incinerados e extinção de três espécies por hora”.
Ele explicou que esses processos não acontecem isoladamente, mas fazem parte de uma cadeia de impactos cada vez mais acelerada. “Esses fatores, eles são o gatilho. O gatilho do que eu chamo o efeito dominó”. Como exemplo, destacou a situação da Amazônia e os efeitos do desmatamento no clima global: “quando a floresta amazônica se transforma em savana, ela devolve bilhões de toneladas de carbono para a atmosfera e por isso acelera o aquecimento”.
Outro ponto central da fala foi a mudança no próprio comportamento do clima. Segundo ele, já houve uma ruptura no padrão que se conhecia até então: “nós mudamos o regime de aquecimento global” e, com isso, “Aqueles eventos extremos, que a gente chamava de eventos extremos, que aconteciam de vez em quando aqui e ali, passam a ser a regra”.
Mais do que apresentar dados, o cientista também trouxe uma reflexão sobre responsabilidade coletiva. Ao falar sobre a dificuldade de comunicar a dimensão do problema, destacou que muitas vezes as pessoas não conseguem perceber a gravidade da situação. “Como é que nós comunicamos isso para os tomadores de decisão, como é que nós comunicamos o intangível”.
Apesar do cenário preocupante, Nobre também apontou caminhos possíveis. Entre eles, destacou a importância do reflorestamento e da atuação mais firme no campo das políticas ambientais, reforçando que não se trata mais de uma escolha individual, mas de uma necessidade coletiva.
Ao final, o cientista retomou o ponto central da sua fala e deixou um recado direto: “nós estamos vivendo os primeiros anos de falência climática global e nós temos que tomar ações enérgicas em todos os ramos da atividade humana para impedir que isto ocorra”.
Nobre concluiu sua fala ressaltando o papel central do Ministério Público diante do cenário. “Com essa informação em mãos, as senhoras e os senhores são a nossa única esperança. A questão climática já não é mais um problema do futuro, ela já está acontecendo, e as decisões tomadas agora vão definir o que vem pela frente”.

fotos: Fernando Neves (MPGO) e Daniel Neves (ABRAMPA).
