Publicado em 22/05/2026
Santa Catarina adota SisREV, sistema desenvolvido pela ABRAMPA, para aprimorar logística reversa

Santa Catarina passa a contar com uma nova ferramenta para fortalecer o monitoramento da logística reversa de embalagens e ampliar a rastreabilidade das metas de reciclagem no estado. O Sistema de Logística Reversa (SisREV), desenvolvido pela Associação Brasileira de Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), será implementado em parceria com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina. O anúncio foi realizado nesta terça-feira (20), durante o seminário “Logística Reversa de Embalagens em Geral no Estado de Santa Catarina”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), em Florianópolis.
Já adotado em diferentes estados brasileiros em parceria com a ABRAMPA, o SisREV permitirá o envio eletrônico de relatórios, o acompanhamento das obrigações ambientais e o rastreamento das metas de reciclagem pelos órgãos fiscalizadores. A plataforma integra empresas, cooperativas, entidades gestoras e órgãos ambientais em um ambiente digital único, ampliando a transparência e fortalecendo o controle da cadeia da logística reversa.
O seminário reuniu representantes da indústria, especialistas, entidades setoriais e órgãos públicos para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento da economia circular em Santa Catarina. Entre os principais temas debatidos estiveram os impactos do Decreto Federal nº 12.688/2026 sobre a indústria catarinense, infraestrutura e tecnologias para implementação da logística reversa, créditos de carbono oriundos da reciclagem, além da Lei de Incentivo à Reciclagem e dos incentivos fiscais aplicáveis ao setor.
Durante o encontro, representantes do setor destacaram desafios ainda existentes para consolidar a logística reversa no estado, como a ampliação da coleta seletiva, o fortalecimento das cooperativas de reciclagem, o engajamento do comércio e a necessidade de incentivos econômicos para estimular a cadeia da reciclagem.
O coordenador do Comitê de Logística Reversa do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC, Albano Schmidt, ressaltou a importância da criação de mecanismos que reduzam os entraves econômicos do setor. “O avanço da logística reversa também passa pela criação de incentivos fiscais e pela revisão da tributação sobre os materiais reciclados. Precisamos de um ambiente que estimule a reciclagem e fortaleça toda a cadeia da economia circular em Santa Catarina”, declarou.
O presidente da ABRAMPA, Luciano Loubet, chamou atenção para o impacto da tributação sobre materiais recicláveis: “Existe uma ilogicidade em tributar o resíduo reciclado. Quando o material vai para o aterro sanitário, o custo é menor, mas quando ele retorna para a cadeia produtiva por meio da reciclagem, há incidência de tributos”, afirmou.
Loubet também participou do painel “Crédito de Carbono, Reciclagem e Valorização Sustentável de Resíduos”, no qual destacou a importância de o setor da reciclagem se mobilizar diante da regulamentação nacional do mercado de créditos de carbono. Segundo ele,” esse ativo ambiental pode se tornar um instrumento estratégico para fomentar a reciclagem no Brasil e fortalecer a implementação de políticas públicas voltadas à economia circular.”
